Metamorfose

Sara B. Carvalho ilustra o artigo Metamorfose

Fecho as portas

Deixo o ruído do outro lado

Isolo-me no meu casulo.

A metamorfose é violenta,

mas requer toda a concentração.

Não permito o distúrbio exterior.

Selo as frestas e embrulho-me;

está prestes a começar.

A pele encolhe,

expõe a carne viva.

Respiro fundo 

e aquieto-me o mais possível.

Sei que vai ser demorado.

Aumento a compaixão.

A mudança não é apenas externa.

As entranhas reviram-se 

e reinventam-se.

As lágrimas caem sem as chamar.

E as horas transformam-se em dias,

os dias em meses,

os meses em anos.

Quando penso que não aguento mais,

que a morte está à cabeceira,

as asas rompem.

O casulo rasga-se.

E voo.

Linda

Leve

Poderosa 

Livre

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