Fecho as portas
Deixo o ruído do outro lado
Isolo-me no meu casulo.
A metamorfose é violenta,
mas requer toda a concentração.
Não permito o distúrbio exterior.
Selo as frestas e embrulho-me;
está prestes a começar.
A pele encolhe,
expõe a carne viva.
Respiro fundo
e aquieto-me o mais possível.
Sei que vai ser demorado.
Aumento a compaixão.
A mudança não é apenas externa.
As entranhas reviram-se
e reinventam-se.
As lágrimas caem sem as chamar.
E as horas transformam-se em dias,
os dias em meses,
os meses em anos.
Quando penso que não aguento mais,
que a morte está à cabeceira,
as asas rompem.
O casulo rasga-se.
E voo.
Linda
Leve
Poderosa
Livre


🙂