Sempre fui aquela pessoa que pensa muito, principalmente quando devia estar a dormir. Sempre comparei o meu cérebro àquelas placas com quinhentos mil fios de inúmeras cores ligados, misturados e cruzados entre si; onde não se percebe onde começa um e acaba o outro, mas com todos a funcionar e a vibrar em conjunto.
Quando comecei a escrever e a criar enredos a situação piorou. A imaginação não me dá tréguas.
Dou por mim, hoje por exemplo, às três e meia da manhã, a tirar apontamentos importantes para o meu próximo romance.
É que eu deito-me e as personagens também se deitam comigo. Depois andam por ali todas juntas misturadas com as minhas restantes preocupações da vida, dos filhos, dos pais idosos, da casa, do trabalho, do que vestir amanhã, o que fazer para o almoço, a sopa que já acabou, a consulta, tenho de ligar a fulano, será que tenho todos os vegetais? Entretanto, entre estas vírgulas e interrogações vem uma ideia que era fixe explorar nas páginas do novo livro… é melhor escrever já para não me esquecer.
É a vida a acontecer.

